TERF

Fonte: FeministWiki
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Um tweet típico contendo do termo "TERF"

A palavra TERF (ou terf; pl. terfs ou terves) é uma ofensa usada predominantemente por ativistas transgênero e seus aliados contra pessoas que criticam o movimento transgênero com base em argumentos feministas. Como essa ofensa é usada para referir-se a pessoas com argumentos feministas, seu maior alvo costuma ser mulheres. Como tal, ela é normalmente entendida como sendo uma ofensa anti-feminista, sexista e misógina.

A palavra foi inventada como um acrônimo para Trans-Exclusionary Radical Feminist (inglês para "Feminista Radical Trans-Exclusionária"), onde a parte "trans-exclusionary" ("trans-exclusionária") refere-se a essas pessoas serem da opinião de que mulheres trans não deveriam ser incluídas dentro da definição feminista de feminilidade, e a parte "radical feminist" ("feminista radical") foi aplicada de maneira neutra para referir-se àquelas pessoas que de fato se descrevem como feministas radicais no seu verdadeiro sentido.

Com o tempo, o acrônimo tornou-se um termo ofensivo. Atualmente, a capitalização dessa palavra frequentemente não é feita, e o significado já ambíguo de seu sentido original é inteiramente ignorado. Ainda assim, usuários do termo costumam alegar que se trata de um termo neutro. A parte "trans-exclusionary" ("trans-exclusionária") agora pode se referir a qualquer pessoa que pense que mulheres trans não deveriam poder ter acesso irrestrito a espaços exclusivamente femininos (como vestiários), participar em esportes femininos - onde elas possuem vantagens injustas -, a relacionamentos com lésbicas etc. Apesar de a maior parte do público poder considerar essas posições como minimamente sensatas, levando em conta que uma "mulher trans" pode ter uma anatomia masculina intacta, ativistas transgênero veem todos esses tipos de "exclusão" como inaceitáveis.

Um termo associado de maneira próxima a esse é SWERF, que supostamente significa Sex-Worker-Exclusionary Radical Feminist (inglês para "Feminista Radical Exclusionária de Trabalhadoras do Sexo") e é usado para referir-se àquelas pessoas que veem a indústria sexual (prostituição, pornografia etc.) como altamente exploratória e sexista. Assim como TERF, esse termo é quase sempre proferido como uma ofensa e para deturpar a posição política do indivíduo contra a qual ele é usado. Ironicamente, algumas dessas pessoas chamadas de SWERF são comumente mulheres que trabalharam na prostituição e tornaram-se ativistas anti-prostituição como resultado de suas próprias experiências como as chamadas "trabalhadoras do sexo".

Origem

O uso mais antigo do termo foi feito por Viv Smythe aka "tigtog" em um blog post de 2008.[1] Ela defendeu o termo em 2018, num artigo para o The Guardian.[2] Ativistas transgênero frequentemente tentam defender o tempo sob a justificativa de que Viv Smythe é uma mulher que alega ser feminista radical, e parece ter usado o termo pela primeira vez de uma maneira que não é depreciativa. Obviamente, as origens benignas do termo não implicam que ele não possa evoluir de forma a tornar-se uma ofensa.

A evolução para discurso de ódio

Não é de forma alguma uma ofensa!

A evolução do termo de 2008 até o início e meados dos anos 2010 não foi bem documentada. Em sua maior parte, feministas tiveram que defrontar o termo em redes sociais, onde ele passou a ser regularmente usado para rebaixar as suas posições políticas. Em julho de 2014, o site Feminist Current publicou dois artigos que faziam referênciam ao termo. O primeiro, escrito por C. K. Egbert e entitulado Defending the 'TERF': Gender as political ("Defendendo o 'TERF': Gênero como política", em tradução livre do inglês) explica e defende a teoria política por trás das ideias defendidas por feministas que são chamadas de "terf".[3] O segundo, escrito por Sarah Ditum e entitulado How 'TERF' works ("Como o 'TERF' funciona", em tradução livre do inglês), analisa brevemente a situação na qual uma mulher é pressionada a retratar uma declaração em oposição à violência contra a mulher, sob a justificativa de que a declaração veio originalmente de uma feminista que é considerada uma "terf".[4] Como o Feminist Current é altamente elogiado por feministas radicais, a sua decisão de apoiar as mulheres que foram chamadas de "terf" pode ser vista como um momento decisivo.

Em agosto de 2014, Vice publicou um artigo intitulado I Am Now Officially a Transphobic Twitter Troll - "Agora Sou Oficialmente um Troll Transfóbico do Twitter", em tradução livre do inglês - (subtítulo: At least according to the 'Block Bot' I am, ou "Pelo menos, de acordo com o 'Block Bot' eu sou"), do autor Martin Robbins.[5] No artigo, Robbins fala sobre como o projeto do "Block Bot" no Twitter, que foi criado para ajudar as pessoas a evitarem trolls abusivos, incluiu autoras e jornalistas feministas como Caroline Criado-Perez e Helen Lewis entre as pessoas que deveriam ser bloqueadas. Ironicamente, Lewis parece ter sido incluída na lista por reclamar sobre trolls abusivos, já que como "evidência" para bani-la incluem-se objeções a tweets como "kill TERFS" ("matem TERFS"), "burn TERFS" ("queimem TERFS") ou piadas odiosas como "what's better than 1 dead terf? 2 dead terfs" ("o que é melhor que 1 terf morta? 2 terfs mortas").

Outro artigo do Feminist Current defendendo as pessoas chamadas por essa ofensa foi publicado em novembro de 2015, escrito por Penny White e entitulado Why I no longer hate 'TERFs' ("Porque eu não mais odeio 'TERFs'", em tradução livre do inglês).[6] No artigo, White explica como ela própria costumava acreditar que as chamadas "TERFs" mereciam ser desprezadas, mas mudou de opinião após começar a olhar com mais cuidado para esse problema. Essa experiência parece repetir-se entre muitas mulheres e alguns homens socialmente liberais na atualidade, que começaram sendo apoiadores do movimento transgênero para depois tornarem-se céticos após experiências e observações negativas, por fim levando-os a também serem denominados de "terf" e desprezados por ativistas transgênero e seus aliados. Após isso, o Feminist Current começou a publicar artigos críticos do movimento transgênero com frequência, muito para o enraivecimento dos ativistas transgênero.

Em junho de 2017, o ativista transgênero Mya Byrne foi a San Francisco Pride Parade com uma camiseta com o escrito "I PUNCH TERFS" ("EU SOCO TERFS", em tradução do inglês), decorada com uma grande mancha de sangue falso. Byrne fez o upload de uma selfie sua vestindo a camiseta na parada e com o subtítulo "This is what gay liberation looks like #pride #yesallterfs" (inglês para "Isto é o que a liberação gay parece #orgulho #simtodasasterfs"), o que ocasionou muitas reações negativas.[7] A camiseta seria mais tarde exibida em uma "exposição de arte" na San Francisco Public Library, montada pelo grupo de ativismo trans The Degenderettes. Após reclamações, a biblioteca removeu a camiseta da exibição, apesar de que itens similares mostrando uma mentalidade violenta permaneceram, como um taco de beisebol enrolado com um arame farpado e pintado nas cores da bandeira de orgulho transgênero.[7]

O tweet de Dominique McLean glorificando a violência contra as mulheres.

Em abril de 2019, o video gamer profissional Dominique McLean aka SonicFox realizou o upload de um vídeo no Twitter com a legenda "what I do to terfs" ("o que eu faço com terfs"), no qual um personagem de video game atinge o pescoço de uma personagem com tanta força que a pele do pescoço dela sai, enquanto a câmera mostra o seu rosto agonizante. McLean pode ser ouvido gritando "terf!" em seu microfone juntamente com cada golpe dado na personagem, no que faz lembrar um linchamento.[8] O tweet ganhou centenas de milhares de visualizações e milhares de retweets e curtidas.

O tweet de McLean tornou-se ainda pior pelo fato de que esse ódio não é somente direcionado a uma personagem "terf" imaginária, mas à voz da atriz por trás da personagem, Ronda Rousey. Rousey, que é uma lutadora de MMA (artes marciais mistas), é considerada uma "TERF" por ter dito, com palavras bruscas, que é injusto o lutador de MMA do sexo masculino Fallon Fox competir contra mulheres.[9][10][11] Um ano após a declaração de Rousey, a lutadora de MMA Tamikka Brents sofreu uma concussão e uma fratura do osso orbital durante uma luta contra Fallon Fox,[12] mas isso não parece ter mudado a opinião dos ativistas trans.

Após o tweet de McLean ter sido denunciado por discurso de ódio, o Twitter inicialmente decidiu que ele não quebrava as suas regras. Somente após repetidos protestos e várias outras denúncias o Twitter reagiu, removendo o tweet e emitindo a SonicFox um banimento de meras 24 horas.

No final de 2019, uma tendência nas redes sociais denominada "POV you're a TERF in my mentions" ("ponto de vista de você ser uma TERF nas minhas menções") teve início, na qual ativistas trans posavam com uma arma (taco de beisebol, espada, machete ou outras), às vezes preparando-se para golpear ou mostrando-os no meio de um golpe, tiradas como se fossem uma fotografia de ponto de vista e com a legenda "POV you're a TERF in my mentions" ("ponto de vista de você ser uma TERF nas minhas menções"), ou alguma variação.[13] As fotografias supostamente representam o ponto de vista de uma "TERF" sendo agredida pela pessoa retratada. Em outras palavras, mulheres chamadas de "TERF" que olham para a foto deveriam imaginar a si próprias sendo violentamente agredidas.

Em maio de 2020, foi feita uma publicação num blog do Medium.com comparando as chamadas TERFs a nazistas em um tom aparentemente verossímil e explicando como vários métodos, tais como infiltração, censura, danos patrimoniais e violência física deveriam ser usados contra elas.[14] A conta utilizada para a publicação do artigo foi suspensa do Medium.com no mesmo dia e seu conteúdo republicado no WordPress um pouco depois.[15]

Vandalismos, assédios e agressões na vida real

Em fevereiro de 2017, a recém-aberta Vancouver Women's Library foi recebida por um pequeno grupo de vândalos, incluindo uma pessoa que era claramente do sexo masculino e que alegava ser uma trabalhadora do sexo. Eles arrancaram um pôster, derramaram vinho em um livro e assediaram aqueles que tentaram participar da cerimônia de abertura do estabelecimento. A justificativa que deram foi de que a biblioteca incluía livros que eles diziam supostamente apoiar a ideologia "TERF" e "SWERF".[16]

A agressão de Tara Wolf a Maria MacLachlan (September 13th, 2017)

Em setembro de 2017, um grupo de feministas quis marcar uma reunião para discutir as mudanças propostas pelo Gender Recognition Act (GRA), na biblioteca comunitária New Cross Learning de Londres. A biblioteca teve de cancelar o evento após o assédio de ativistas transgênero. As organizadoras da reunião decidiram encontrar-se na Speakers' Corner, antes de ir ao novo local da reunião, que não havia sido anunciado de forma a protegê-lo de assédio. Na Speakers' Corner, elas foram recebidas por um grupo de ativistas transgênero gritando frases como "when TERFs attack, we fight back" ("quando TERFs atacam, nós revidamos", em inglês). Maria MacLachlan, que estava filmando os protestantes com a sua câmera digital, foi atacada por uma pessoa vinda do grupo de ativistas trans e que então tentou tomar a sua câmera. Após não ter sucesso, o atacante correu para trás de seus amigos, e MacLachlan tentou aproximar-se do grupo para filmar o seu rosto com a câmera. Vários dos ativistas começaram a agredi-la nesse momento. Um dos agressores, que após o evento revelou-se ser Tara Wolf, foi acusado de agressão física. Anteriormente ao evento, ele havia postado que queria "f*der com algumas terfs" em uma rede social. Esse evento pode ser considerado como um marco do ódio crescente que ativistas transgênero demonstram contra feministas, já que nenhuma outra agressão havia sido documentada claramente com relação à ofensa "TERF", e o evento ganhou atenção generalizada nas notícias, sendo coberto pelo The Guardian,[17] The New Statesman,[18][19] The Telegraph,[20] The Times,[21][22] The Evening Standard,[23] e pelo The Daily Mail.[24] Foi também, é claro, coberto pelo Feminist Current.[25][26] Como resultado do evento, muitos ativistas transgênero defenderam e até mesmo celebraram a agressão, levando Meghan Murphy a publicar o texto 'TERF' isn't just a slur, it's hate speech ("TERF não é só uma ofensa, é discurso de ódio"). Algumas publicações, ao defender os ativistas transgênero, tentaram alegar que o agressor estava na verdade agindo em legítima defesa, e tentaram provar essa alegação através do upload de cortes cuidadosamente editados da gravação mostrando a agressão,[27] ou descrevendo a agressão como "revidando contra bullies" que "provocaram" os ativistas transgênero (ao terem opiniões das quais estes não gostaram, presumivelmente).[28]

Em dezembro de 2018, a advogada de defesa dos direitos humanos, Prof. Rosa Freedman, encontrou a porta de seu escritório coberta com urina após participar de debates relacionados às mudanças propostas ao Gender Recognition Act do Reino Unido. Ela também alegou ter sido chamada de uma "nazista" (ela é judia) que "deveria ser estuprada" (ela é uma sobrevivente de violência sexual) e de receber telefonemas abusivos anônimos.[29]

Em 2018, o ativista transgênero Dana Rivers foi a julgamento por homicídio triplo.[30] As vítimas eram um casal de lésbicas e o seu filho adotivo. Rivers esfaqueou e atirou nas vítimas, antes de tentar colocar fogo em sua casa, em novembro de 2016. Ainda não está claro se Rivers foi motivado pelo ódio contra feministas e lésbicas disseminado por ativistas transgênero. Rivers era, no entanto, membro do grupo Camp Trans, que foi criado para protestar a regra de apenas mulheres poderem participar do Michigan Womyn's Music Festival (aka MichFest).[31] A Autostraddle descreveu Rivers como um "ativista transgênero muito conhecido".[32]

Em junho de 2019, Julie Bindel foi fisicamente agredida por uma pessoa do sexo masculino após dar um discurso sobre a violência de homens contra mulheres, na Universidade de Edimburgo, junto com a Prof. Rosa Freedman.[33] "Ele estava gritando e reclamando e esbravejando, 'você é uma p*** do c******, você é uma cadela do c******, uma Terf do c******' e outras coisas. Estávamos tentando andar até o táxi para levar-nos até o aeroporto, e então ele apenas saltou em minha direção e quase me deu um soco no rosto, mas um segurança afastou-o de mim". Essa pessoa do sexo masculino, que diz se chamar "Cathy Brennan" (por causa da advogada lésbica e feminista radical de mesmo nome, a quem ele despreza), já havia chamado a atenção em redes sociais por defender agressões físicas contra feministas em paradas de Orgulho Gay.

Em 16 de agosto de 2019, a conta no Facebook do Vancouver Rape Relief and Women's Shelter relatou que um rato mortou havia sido pregado na moldura de sua porta.[34] Em 26 de agosto, a sua conta no Twitter seguiu relatando que as suas portas e janelas haviam sido vandalizadas com frases como "FUCK TERFS" ("FODAM COM AS TERFS") e "KILL TERFS" ("MATEM AS TERFS"), assim como "TRANS POWER" ("PODER TRANS").[35] O repetido assédio e vandalismos chamaram a atenção local e nacional.[36][37][38]

Análise do termo

O acrônimo original pode ser dividido em duas metades: "feminista radical" e "trans-exclusionária". Apesar de muitas pessoas chamadas por esse termo não se considerarem feministas radicais, os seus ideais muito frequentemente alinham-se com o feminismo radical, tornando essa parte um tanto acurada. A parte "trans-exclusionária", no entanto, é um pouco ambígua, e seu significado parece mudar de acordo com a vontade da pessoa que usa o termo.

Quando aquele que usa o termo quer justificá-lo como uma descrição objetiva e acurada, ele usará definições simplistas e banais de "exclusão" que se aplicam facilmente a maioria das pessoas contra as quais o termo é utilizado. Exemplos disso podem incluir:

  • Querer que mulheres trans com vantagens anatômicas injustas sejam excluídas de esportes femininos;
  • Querer que mulheres trans com anatomia masculina evidente (como genitais masculinos intactos) sejam excluídas de espaços privativos segregados por sexo, como em vestiários;
  • Não considerar que mulheres trans sejam literalmente mulheres, ao apontar que a definição no dicionário de mulher é de um "humano adulto do sexo feminino";
  • Querer excluir mulheres trans de alguns grupos políticos que querem ter foco nas lutas únicas às pessoas nascidas com anatomia feminina;
  • Querer que crimes cometidos por mulheres trans não sejam registrados como tendo sido cometido por mulheres, especialmente porque os padrões criminosos de mulheres trans parecem mais compatíveis com os padrões criminosos de homens,[39] que cometem a vasta maioria dos crimes violentos, especialmente os de natureza sexual.[40]
Algumas das mentiras hiperbólicas que ativistas trangênero usam para justificar o ódio a feministas

No entanto, uma vez que o termo "TERF" é aplicado a alguém com base nessa pessoa possuir as opiniões supracitadas (que muitas pessoas, inclusive as que não são feministas, concordariam ser sensatas), a definição de "exclusão" é rapidamente alterada para justificar expressões de ódio. Às vezes, o "trans-exclusionária" é até mesmo alterado hiperbolicamente para "trans-exterminatória", de forma a aumentar o seu efeito indutor de pânico. O site The TERFs chega até mesmo a alegar que pessoas rotuladas como "TERF" querem:

  • Excluir pessoas trans do acesso a moradia (torná-las sem teto);
  • Excluir pessoas trans do acesso a emprego (torná-las desempregadas);
  • Excluí-las do acesso a educação (mantê-las sem instrução);
  • Excluí-las do acesso a igualdade de acomodação;
  • Excluí-las das proteções locais, estaduais, nacionais e das Nações Unidas (!).

Como tais, as mulheres chamadas de "TERF" são representadas menos como mulheres que simplesmente querem defender os direitos das mulheres baseados em sexo e mais como monstros facistas. Isso é então usado para incitar ódio e violência contra elas. É também notável como a exclusão de mulheres trans (de espaços exclusivos para mulheres etc.) torna-se aqui uma suposta exclusão de todas as pessoas trans (do que quer que seja). Na verdade, mulheres chamadas de "TERF" frequentemente dirão de maneira explícita que homens trans são bem-vindos em seus grupos, já que homens trans também sofrem as opressões que todas as mulheres sofrem desde o nascimento.

A estratégia de ativistas transgêneros de usar definições simples de "TERF" para fazer esse termo parecer acurado, para então distorcer a sua definição para justificar o ódio, é bastante similar à estratégia "troll" que foi observada pelo filósofo Nicholas Shackel, e denominada Doutrina de Motte e Bailey em um artigo intitulado The Vacuity of Postmodernist Methodology ("A Vacuidade da Metodologia Pós-Modernista", em tradução livre do inglês):

"Os Truísmos de um Troll são usados para insinuar uma falsidade emocionante, que é uma doutrina desejada, e ainda assim permitir a retirada para uma verdade trivial quando pressionado por um oponente. Ao fazer isso eles exibem uma propriedade que os torna o caso mais simples possível do que eu chamarei de uma Doutrina de Motte e Bailey (já que uma doutrina pode ser uma única crença ou um corpo inteiro de crenças).

Um castelo de Motte e Bailey é um sistema medieval de defesa no qual uma torre de pedra numa colina (o Motte) é cercado por uma área de terra (o Bailey), a qual por sua vez é envolta por algum tipo de barreira, como uma vala. Por ser escura e úmida, a Motte não é uma habitação de escolha. A única razão para a sua existência é a desirabilidade do Bailey, cuja combinação da Motte e da vala torna relativamente fácil de reter, apesar dos ataques de saqueadores. Quando somente levemente pressionada, a vala torna fácil a derrota de um pequeno número de atacantes enquanto esses tentam atravessá-la: quando fortemente pressionada, a vala não é defensável, e nem o Bailey. Ao invés disso, a pessoa recuará para a insalubre, mas defensável, e talvez inexpugnável, Motte. Eventualmente, os saqueadores desistem, quando alguém está bem posicionado para reocupar a terra desejável.

Para os meus propósitos, o desejável, mas somente levemente defensável território do castelo de Motte e Bailey, o que quer dizer, o Bailey, representa uma doutrina ou posição filosófica com propriedades similares: desejável ao seu proponente mas somente levemente defensável. A Motte é a posição defensável, mas indesejável, à qual alguém recua quando fortemente pressionado. Acredito ser evidente que os Truísmos de um Troll possuem a propriedade de Motte e Bailey, já que as falsidades emocionantes constituem a região desejável, mas indefensável, dentro da vala na qual a verdade trivial constitui a Motte defensável, mas úmida, à qual alguém se retira quando pressionado."

No nosso caso, a Motte é uma declaração facilmente defensável, como: "Você não considera mulheres trans como literalmente mulheres, logo, você é trans-exclusionária, o que a torna uma TERF". Enquanto o Bailey é: "Você quer excluir pessoas trans do acesso a moradia e emprego e, logo, tenho justificativa para odiar você fortemente!"

Esse também poderia ser chamado de argumento "isco-e-troca", na qual alguém é "iscado" a concordar com a declaração de que alguém é uma "TERF" através da utilização de uma definição simplista de "exclusão trans", para então essa definição ser alterada para algo ruim, de forma a justificar expressões de ódio.

Inspeção das alegações em The TERFs

Logotipo real do TheTERFs.com: Rabiscos pretos malignos

Deve ser notado que o The TERFs oferece pouco mais do que citações fora de contexto de várias décadas atrás como "evidência" para as suas alegações hiperbólicas envolvendo uma chamada ideologia "TERF". Ele também mostra um certo número de tweets cuidadosamente selecionados, metade dos quais vem de fontes da direita política que também se opõe ao movimento transgênero, o que leva ativistas trans a alegarem que isso prova que feministas são secretamente aliadas à direita numa grande conspiração. (Essa linha de raciocínio também é frequentemente ridicularizada como: "Hitler era vegetariano. Logo, vegetarianos são nazistas")

A respeito de supostas evidências de "violência na vida real motivadas pela ideologia TERF", o site lista seis exemplos, dos quais três na verdade não apresentam nenhuma violência. Aqueles que apresentam dizem respeito a incidentes de várias décadas atrás, nos quais mulheres tentaram expulsar mulheres trans de grupos ou espaços exclusivamente femininos, usando força física ou ameaças diretas. Devido a ser esperado que mulheres sejam sempre boazinhas e passivas em relação a homens, até mesmo quando tentam formar grupos feministas radicais e manter homens fora deles, isso é obviamente visto como inaceitável. Dois exemplos são de ameaças verbais, que são experiências rotineiras para feministas que se opõe a ativistas trans. A última é sobre as mortes de pessoas trans que são presumidas serem relacionadas à falta de acesso a cuidados médicos, fator que não tem relação nenhuma com a ideologia feminista.

Para resumir: não há um único exemplo documentado de um grupo feminista ter agredido ou ameaçado um grupo transgênero. Qualquer alegação de "violência por TERFs" refere-se a mulheres tentando expulsar mulheres trans de espaços exclusivamente femininos, a casos extremamente raros de ameaças verbais ou a muitas e muitas fabricações. Em comparação, ativistas trans já foram a bibliotecas de mulheres para vandalizá-las,[16] foram a encontros feministas para agredir mulheres,[25][26] apareceram usando máscaras em conferências feministas para intimidar mulheres[41] e o abuso verbal onipresente que eles direcionam a mulheres consegue encher um site inteiro criado somente para esse fim.

"SWERF"

A palavra SWERF está proximamente relacionada a TERF e é utilizada de maneira similarmente desonesta e deturpadora. Mulheres (e homens que se preocupam com os direitos das mulheres) críticas da indústria do sexo pela sua natureza exploradora são acusadas de serem "exclusionárias de trabalhadoras do sexo", numa tentativa de fazê-las parecer terem ódio de um grupo oprimido.

De fato, as pessoas que são chamadas de "SWERF" tendem a apoiar o modelo nórdico contra a prostituição, que vê um sistema de assistência social de alta qualidade como um componente necessário no combate à prostituição e no alívio a problemas enfrentados por mulheres que somente escolher prostituir-se por causa de condições econômicas extremas. Além disso, muitas das que são chamadas de "SWERF" tendem a ser mulheres que já trabalharam na prostituição.

Notavelmente, uma das mais conhecidas feministas anti-prostituição e anti-pornografia, Andrea Dworkin, já foi uma prostituta e não tinha vergonha de admitir isso. Outro exemplo notável é Rachel Moran, que esteve envolvida com a prostituição quando tinha entre 15 e 22 anos de idade, para depois tornar-se uma das mais notáveis ativistas anti-prostituição e a favor do modelo nórdico dos últimos anos.


Galeria

Ver também

Ligações externas

Referências

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  2. Viv Smythe (aka tigtog) (November 28, 2018). I'm credited with having coined the word 'Terf'. Here's how it happened. The Guardian.
  3. C.K. Egbert (July 16, 2014). Defending the ‘TERF’: Gender as political. Feminist Current.
  4. Sarah Ditum (July 29, 2014). How ‘TERF’ works. Feminist Current.
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